Obras

Autora dos livros:

* Anunnakis, os Deuses Astronautas - Editora Madras
* A Conspiração Anunnaki - Editora De Geneve
* Ouro de Ofir - Alquimia do Antigo Egito - Editora De Geneve
* Efeito Exillis - O Segredo das Sociedades Secretas
* Mito - Livro de Poesias
* Operação Rhesus - Em busca do Elo Perdido ( Recém lançado. Maio 17)
* 2162 - O Código Secreto de Hitler

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sábado, 5 de fevereiro de 2011


Pégasus dos Poetas
Anabel Sampaio
Eu costumava visitar o bosque nas noites de lua cheia. E na clareira da mata, eu rodopiava com os braços abertos de sol para amansar Pégasus e segurar na rédea dourada de sua crina. Eu sabia que Pégasus sempre pastava na clareira quando a lua se exibia farta.
Montada em seu dorso esguio e branco eu alçava vôos mirabolantes ao som dos acordes melodiosos da brisa que me beijava a tez e cantarolava hinos por entre os ramos das árvores. De sorte que, iluminada pela candeia da lua e acompanhada pela brejeirice das estrelas, eu passeava na esperança de me saciar da imensidão do céu e me extasiar de plenitude.
__ Para onde pretende me levar hoje, Pégasus? __ Achei que dessa vez o vôo estava mais arqueado.
__ Até o Olimpo. __ Respondeu o corcel das musas.
__ Não quero ir até lá, Pégasus! __ Eu sabia que no Olimpo todos os poetas apreciavam o manjar dos deuses e para isso eu precisava saber fazer poesia.
__ Porque você não quer fazer versos no Olimpo?__ Perguntou Pégasus, desconfiado.
__ Porque não estou inspirada. Talvez meu coração esteja vazio... __ Baixei os olhos.
__ Não há solidão na noite, pois quem possui esperança para ser alimentada e conversa para ser trocada, pode se identificar com a natureza tão saciável de companhia. __ Retrucou o corcel, esticando um pouco mais as suas asas esplendorosas.
Nesse momento, a luz prateada da lua iluminou o meu convés vazio de poesia, revelando que eu não possuía o encantamento dos versos, nem os acordes das rimas, nem o bailar das palavras. A propósito, eu sabia que Pégasus só estava a serviço dos poetas, portanto, ele me abandonaria na calada da noite escura.
__ Porque tanta ira dos deuses? __ Perguntei, chorosa.
Pégasus apenas relinchou. De fronte as faces inexpressivas da noite, entendi que elas são mais passíveis de entendimento do que as fisionomias carrancudas dos homens.
De repente, os acordes cessaram. E não me sentindo tão segura como quando parti do chão, caí de minhas enganadas alturas. Fui me chocar à terra úmida de sereno, com cheiro forte de mato pisado, tão real quanto ao mundo em que eu vivia.
Despi a alma de disfarces, lavei a cara com gotas de orvalho para acordar do pesadelo. Na orquestra melodiosa da noite, o último acorde não foi meu, nem tão pouco o último verso. Eu não sabia mais fazer candura, tão pouco entender o encantamento da lua. Pégasus não podia mais me ceder as suas asas no vôo pleno da poesia.
Caído, Pégasus observou o meu olhar condoído. Talvez, para fazer poesia eu precisasse novamente ver o mundo com os olhos de menina, aprendendo a ser sutil como a noite, escancarada de alma como o dia.
Quando me despedi de Pégasus, pedi a ele o encantamento do verso e a unção da poesia. Todavia, uma musa eu sei que jamais me tornaria, mas não conseguiria mais viver sem a plenitude da noite.
Havia transgredido a lei dos poetas quando voei no dorso do corcel do verso. Porém, quem mais me julgaria? Pégasus calou-se em seu julgamento.
Não sendo um mero jumento, ofereceu-me suas rédeas de ouro. Porém, não era esse o meu tesouro.
Quem sabe um dia, ele me ensinaria a ser um poeta de novo!

Um de meus contos para vocês...Espero que gostem. Beijo na alma.

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